O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,34%, a R$ 5,2560 para venda, refletindo o cenário político brasileiro que passa por uma crise diante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia no Senado. Além disso, o cenário externo influenciou fortemente para essa alta com forte aversão ao risco.
Essa aversão ao risco externa vem da variante Delta do coronavírus, que está trazendo incertezas sobre a recuperação econômica mundial. A China também passou por momentos de instabilidade hoje, trazendo ainda mais insegurança aos investidores. Na semana, o dólar subiu 4%
“Além do exterior, aqui um forte fluxo de saída de recursos do país ajudou para a alta, levando a moeda a registrar máximas, chegando perto da casa dos R$ 5,31. Após um longo período fora, nosso BC entrou em cena e anunciou um leilão de swap de 10 mil contratos, equivalente a USD 500 milhões, levando o dólar a transitar pelo terreno negativo. Na parte da tarde, depois de grande volatilidade e amplitude, voltou a acompanhar o exterior”, afirmou Guilherme Esquelbek, da Correparti Corretora.
“O mercado está com forte aversão ao risco hoje. Investidores estão de olho no risco da recuperação econômica com a variante Delta da covid, além dos sinais do Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] e China, com dia de estresse maior no mercado”, explicou Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos.
O leilão do BC foi de 10 milhões de contratos de swap cambial, numa operação que movimentou US$ 500 milhões. A operação aconteceu entre 12h20 e 12h30, com aceitação de 100% do montante previsto.
O cenário ainda é de cautela no mercado externo e interno, com a nova variante do coronavírus. No Brasil, novos casos indicam a chegada da mutação da cepa, atrelado a isso, investidores seguem de olho nos desdobramentos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia no Senado Federal.
Rachel de Sá, da Rico, afirmou em relatório na manhã de hoje que os mercados não amanheceram com clima de pré-feriado “diante de preocupações com novas variantes da Covid-19. No Brasil, indícios de primeiro caso de transmissão comunitária, mas dados melhoram”, explicou.
“A ata da última reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve, divulgada ontem, mostrou que o pessoal está concordando em discordar por lá. Enquanto alguns membros do comitê acreditam que seria positivo antecipar um pouco a redução dos estímulos (o famoso tapering), outros defendem paciência e cautela, e esperam a divulgação de um conjunto maior de indicadores para qualquer tomada de decisão”, acrescentou Rachel.
Por Agência Safras