O dólar comercial fechou em alta de 0,73% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4760 para venda, em sessão volátil em
meio à formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo Banco Central (BC) – de fim de mês, o que normalmente provoca oscilações da moeda estrangeira. Além de acompanhar o movimento de cautela no exterior e
local, antes de uma semana carregada de eventos. Em semana encurtada com o feriado em São Paulo, o dólar teve ligeira desvalorização de 0,02%.
O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca que o dólar teve valorização global “apoiado na fuga do risco” por parte dos investidores em meio ao “ataque especulativo” iniciado na bolsa de valores de Nova York na quinta.
“Inevitavelmente, ecoa hoje”, diz sobre a forte queda dos índices dos mercados de ações, como o Ibovespa, que caminha para recuar mais de 2% na sessão.
Analistas reforçam que, no exterior, as incertezas quanto ao ritmo de vacinação em massa contra a Covid-19 em meio ao avanço do contágio da doença, e consequentemente, as dúvidas sobre o ritmo de recuperação da
economia global também pesaram nos ativos.
No mês, marcado pela decisão de bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e o brasileiro, com a posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a expectativa pela aprovação de um
pacote de estímulo fiscal trilionário, o dólar registrou forte valorização de 5,53%, após dois meses seguidos em queda, e fechou janeiro com a maior variação percentual mensal desde março do ano passado, quando a crise do novo coronavírus estourou no Brasil, levando o país ao isolamento social.
Na semana que vem, analistas destacam a volta do Congresso Nacional do recesso e consequentemente, a eleição dos novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Para a equipe econômica do banco Fator, sinais sobre a
postura dos vencedores em relação ao teto de gastos, formal ou informal, podem “sacudir” o mercado, como ocorreu nesta semana, assim como “as fofocas sobre as eleições”.
O analista-chefe da Toro Investimentos, Rafael Panonko, avalia que o novo presidente da Câmara, especificamente, terá um “grande desafio” em articular com os parlamentares as pautas econômicas. “Não fazemos ideia de quem vai
ganhar [a disputa], mas vejo que o Arthur Lira [PP-AL e apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro] pode ter maior facilidade em articular o avanço das reformas”, diz.
Já o analista político da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, pondera que uma eventual vitória de Lira na Câmara é percebida como um “sinal de otimismo” pela suposta defesa dos temas de interesse da equipe econômica.
“Nossa leitura é de que os riscos fiscais devem se manter bastante elevados independentemente do resultado na Câmara. O acompanhamento dos votos sugere vantagem inicial de Lira, especialmente, diante do esforço do governo em mobilizar recursos para construir uma coalizão”, avalia.
Lá fora, a agenda de indicadores estará pesada com números de atividade da China, Europa e Estados Unidos, em janeiro, como os dados do mercado de trabalho norte-americano. “Vamos ter uma temperatura de como anda a economia mundial em meio à segunda onda de contaminação de covid-19, novas variantes e também, com o início da vacinação em massa em diversos países”, acrescenta o diretor de uma corretora nacional.
Por Agência Safras