O dólar comercial fechou em alta de 1,54% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1250 para venda, em sessão volátil e de forte amplitude, em meio à cautela do mercado doméstico com a possibilidade de o governo federal estender o pagamento do auxílio emergencial até março do ano que vem, após um senador protocolar a proposta em meio à indefinição de um plano de vacinação contra covid-19 no país.
A equipe econômica do banco Fator ressalta que, a dias do fim do ano, os temas fiscais, de tanto interesse do mercado, permanecem indefinidos. “Sem orçamento [para 2021], sem as diretrizes do mesmo, sem posição clara sobre a tensão teto de gastos e o auxílio emergencial e sem clareza sobre o encaminhamento da sucessão na Câmara [dos Deputados] e no Senado”, avalia.
A notícia de que o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) protocolou uma proposta para manter o pagamento de R$ 300 do benefício no primeiro trimestre do ano que vem e de que a Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO), prevista para ser analisa na quarta-feira, deve ser votada em 2021 refletiu em forte estresse na moeda local, que chegou a buscar os R$ 5,00 no início dos negócios.
O analista-chefe da Toro Investimentos, Rafael Panonko, reforça que o ambiente doméstico, em meio às incertezas fiscais, voltou a elevar a cautela dos investidores. “Qualquer notícia, por qualquer que seja dentro deste tema, entra um fluxo comprador para corrigir a tendência baixista do dólar que começou no início de novembro”, avalia.
Nesta terça, 15, na agenda de indicadores, tem os dados da produção industrial e de vendas no varejo da China, em novembro, além de números da indústria norte-americana no mês passado. Mas o destaque fica para a ata da última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada.
“Além de mais detalhes sobre as projeções divulgadas no comunicado, espera-se que o documento qualifique melhor sua avaliação sobre o balanço de riscos que envolvem os próximos passos de política monetária”, avalia a equipe econômica do Bradesco.
Panonko, da Toro, destaca que notícias da política e do cenário fiscal devem continuar fazendo preço. “O dólar tem um espaço normal para altas devido ao tamanho da queda que exibiu nas últimas semanas e em novembro, como um todo”, diz.
Por Agência Safras