O dólar comercial fechou em forte alta de 1,67% no mercado à vista, cotado a R$ 5,5110 para venda, no maior
valor de fechamento do ano, em dia de forte estresse na curva de juros futuros dos Estados Unidos, as treasuries, com o título de 10 anos chegando a 1,54%, o que provocou forte desvalorização de ativos globais como, principalmente, as moedas de países emergentes, com as principais perdendo valor entre 2% e 3%,
como o peso mexicano.
“Os juros saltaram nos Estados Unidos com nova rodada de preocupação com a ‘reflação’, que seria resultado do pacote fiscal democrata [de US$ 1,9 trilhão]. Vários analistas entendem que, passada a pandemia do novo
coronavírus, transferências de renda emergenciais serão inflacionárias”, avalia o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, acrescentando que os mercados têm estado instáveis nas últimas semanas.
Com o título de 10 anos no maior nível em um ano, desde o início da crise provocada pela pandemia, a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, acrescenta que o perfil “mais inclinado” à estímulos fiscais do
presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e com uma política de estímulo monetário adotada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), levaram investidores a começarem a apostar em retomada da atividade econômica, porém, com um quadro de pressão inflacionária.
Ela destaca que o movimento de alta das treasuries, após o “derretimento” com o agravamento da crise, foi iniciado no último trimestre do ano. “Foi quando começou esse papo de ‘reflação’. Só que piorou nos últimos dias”,
diz.
Com a moeda no maior patamar do ano, o Banco Central (BC) realizou os dois primeiros leilões de venda de dólares no mercado à vista de 2021, no qual colocou no mercado US$ 1,535 bilhão ao longo da tarde, mas com “pouco
resultado”, diz o economista do Fator.
Abdelmalack reforça que a “percepção de risco” subiu muito no mercado doméstico, o que sustenta o dólar em patamar elevado. “Principalmente, com o episódio da Petrobras, refletindo em pressão no câmbio. Até por isso, o
Banco Central entrou com leilão à vista e não de swap cambial [tradicional, equivalente à venda de dólar no mercado futuro] como vinha fazendo. Porque, além dos nossos problemas, foi uma pressão externa”, diz.
Nesta sexta, 25, com a agenda de indicadores esvaziada, o destaque fica para os dados de janeiro sobre a renda e gastos pessoais nos Estados Unidos. Com o encerramento do mês, tem a tradicional disputa pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo BC.
Para a economista da Veedha, “não há motivos locais” para uma melhora do real em relação ao dólar. “Com a disputa da Ptax, a tendência é muito mais de desvalorização da nossa moeda. Se alguma notícia lá de fora for positiva, pode ser que haja algum viés de melhora. Mas são poucos os fatores que possam sustentar uma recuperação da moeda amanhã”, finaliza.
Por Agência Safras