Dólar sobe 1,76%, acompanhando mercado externo

O dólar comercial fechou em forte alta de 1,76% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4290 para venda, em sessão de
forte volatilidade e amplitude, acompanhando a valorização global da moeda norte-americana, que passou todo o pregão com ganhos em relação às moedas pares e de países emergentes. Aqui, a tradicional disputa pela formação de
preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo Banco Central (BC) – de fim de mês.

Mesmo com a forte alta na sessão, a divisa estrangeira engatou a quinta semana seguida de queda (-1,27%). Semana marcada pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no qual
manteve a postura de política acomodatícia e indicou que a autoridade monetária seguirá com estímulos até a economia dos Estados Unidos se mostrar recuperada dos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

A primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre dá sinais de que o país caminha para a recuperação econômica, principalmente, em meio ao avanço de pessoas imunizadas contra a Covid-19.

No mês, a moeda norte-americana recuou 3,55%, na primeira queda mensal no ano e na maior desvalorização desde novembro do ano passado. O economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli, reforça que o dólar sofreu “um pouco” de pressão com o imbróglio do Orçamento de 2021, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro no dia 22. Com isso, no começo do mês, a divisa estrangeira voltou ao patamar de R$ 5,75.

“Lá fora, os estímulos na economia norte-americana tiraram um pouco a força do dólar no mundo. Isso ajudou também”, acrescenta Jaconeli. Para a equipe econômica do Bradesco, o fim do impasse do Orçamento afastou, “por
ora”, os riscos de “um grande descontrole” fiscal e “abriu uma janela” para a apreciação do câmbio.

“Uma combinação de fatores tem permitido o real fechar uma parte da distância que se formou em relação aos pares. Os preços das principais commodities exportadas pelo Brasil se mantêm em patamares recordes e a recuperação da economia mundial tem impulsionado a exportação, devendo levar o país a registrar um superávit. A perspectiva de normalização das condições monetárias domésticas também torna o real mais atrativo em relação aos pares”, avaliam os economistas do banco. Com isso, o dólar fecha o primeiro quadrimestre do ano valorizado em 4,6%.

Na próxima semana, com a agenda de indicadores carregada, os destaques ficam para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que sinalizou na ata da reunião de março que deverá promover mais uma alta de 0,75 ponto percentual da taxa Selic, indo a 3,50% ao ano, e para os índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria e de serviços da Europa, China e Estados Unidos em abril, assim como o relatório de emprego
norte-americano, o payroll.

“No comunicado [do Copom], estaremos atentos aos sinais das próximas decisões”, diz a equipe do Bradesco, acrescentando que, sobre os dados de atividade no exterior, os sinais vindos do ambiente global devem seguir
“suportando” a retomada da atividade econômica, especialmente nos países desenvolvidos.

Por Agência Safras