Dólar sobe diante de cenário conturbado nos EUA

O dólar comercial fechou em alta de 0,77% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3050 para venda – no maior valor de fechamento desde 30 de novembro -, em sessão de forte volatilidade, em
movimento local de proteção em meio aos ruídos em torno do cenário fiscal, enquanto nos Estados Unidos, além do resultado da eleição do Senado, o mercado monitora os protestos a favor do presidente Donald Trump que culminou em um lockdown no prédio do Congresso norte-americano.

No meio da tarde, policiais e manifestantes armados entraram em conflito na frente do edifício do Capitólio, onde fica o Senado e a Câmara dos Deputados norte-americanos, enquanto um grupo de pessoas a favor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadiram o Congresso. Haveria uma sessão para certificar a eleição do candidato democrata Joe Biden como presidente do
país.

Apesar de exibir forte volatilidade ao longo da sessão, o analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, destaca que a moeda fortaleceu os ganhos na reta final dos negócios “reverberando” a tensão política norte-americana que passou a “repercutir” mais.

Porém, o economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito, pondera que, apesar do desgaste dos fundamentos democráticos nos Estados Unidos com esse tipo de manifestação, “muito provavelmente” não terá efeitos deletérios” nos mercados.

“Primeiro é que está nítido que não será bem sucedida as investidas de Trump para reverter o resultado do pleito [eleitoral]. Seu próprio vice-presidente, Mike Pence, já se posicionou no sentido de reconhecer o resultado do pleito. O segundo motivo é que está nítido que o establishment norte-americano não está mais dando ouvidos a Trump”, avalia.

Mais cedo, o atual presidente norte-americano inflou os ânimos de seus apoiadores ao afirmar que jamais reconhecerá a vitória do democrata Joe Biden no pleito e insistir que seu vice Mike Pence bloqueasse a confirmação no Congresso.

Nesta quinta, 7, com a agenda de indicadores mais esvaziada, o mercado deverá acompanhar os desdobramentos do caos no Capitólio, dividindo a atenção com a eleição de mais uma cadeira no Senado do país. “Se outro democrata for eleito, o Congresso será meio a meio e isso poderia facilitar um governo Biden. O mercado fica atento às essas movimentações políticas nos Estados Unidos que devem dar o tom dos negócios na abertura”, comenta.

Por Agência Safras