Dólar sobe e fecha em alta diante de risco inflacionário

O dólar encerrou a sessão em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,4490 para venda. Em dia de fechamento da Ptax (taxa na qual serão baseados os contratos do próximo mês), além do risco inflacionário doméstico que não se dissipa, a moeda norte-americana ganha força ante o real. Em setembro, o dólar valorizou 5,6%, enquanto, no trimestre, avançou 9,59%.

“O dólar subiu mais de 5% este mês, e vai se fortalecendo tanto aqui quanto lá fora. Ele ganha das moedas emergentes e dos seus pares (DXY)”, pontua o analista de riscos da Ajax Capital, Rafael Passos. Por ser fechamento de mês, o analista também vê hoje como uma data atípica para o câmbio.

Passos acredita que vem ocorrendo uma diminuição no ritmo: “Economias desenvolvidas já mostram uma desaceleração, o que não é necessariamente ruim. Tudo depende de quanto tempo isso irá durar. A China, em especial, acendeu a luz amarela”, contextualiza.

Além das questões externas, o cenário doméstico continua sendo um empecilho para o fortalecimento do real: “O dólar acompanha o estresse do risco inflacionário. A ata do Copom manteve a previsão de 1 ponto percentual para as próximas reuniões, mas o mercado pensa que esta elevação deveria ser maior”, opina passos.

Na opinião do analista, “o mercado está muito cético em relação à inflação. O ponto é se o Banco Central (BC) vai continuar neste ritmo. É muito difícil prever um horizonte de médio prazo”.

De acordo com a equipe da Ouro Preto, “ainda tem um espaço para respiro, por mais que os números dos Estados Unidos tenham vindo abaixo do esperado”. Segundo a empresa, isso não altera o início do tapering (remoção de estímulos) para novembro, em linha com as declarações dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Os problemas domésticos, contudo, continuam afetando o câmbio mais fortemente do que o mercado: “Continuamos com as questões nos precatórios e reforma do imposto de renda. Vemos muita conversa e as coisas não andam. Isso afasta os investidores estrangeiros, que fogem do risco”, avalia a Ouro Preto.

Por Agência Safras