Dólar sobre 1,49% com expectativa de um novo pacote de estímulos aos EUA

O dólar comercial fechou em forte alta de 1,49% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4490 para venda, em sessão de forte volatilidade e amplitude da moeda, acompanhando o movimento externo onde a moeda estrangeira se fortaleceu ante as principais moedas globais em meio à expectativa de aprovação do pacote de estímulo fiscal, de US$ 1,9 trilhão, o que levou os juros futuros a avançarem.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, reforça a forte valorização do dólar no exterior em meio às expectativas em torno da aprovação do novo pacote de incentivos fiscais perto de US$ 2,0 trilhões nos Estados Unidos e ao
otimismo em relação à rápida recuperação da economia do país.

“Ancorada nos números melhores do que o esperado, revelados pelos recentes indicadores”, diz Gomes, em relação aos dados de emprego no setor privado ontem, à queda dos pedidos de desemprego no país até a semana passada e após o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços subir no mês passado, enquanto o indicador de atividade da Europa recua. Ele acrescenta que o resultado “mais robusto” de balanços corporativos
ajudaram a sustentar a valorização global da moeda norte-americana.

O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, destaca a valorização das treasuries (juros dos títulos de dívida pública norte-americana) no qual o título de dez anos chegou hoje a 1,15%. “Isso sinaliza uma maior
expectativa de inflação e um futuro aperto monetário nos Estados Unidos, justamente em razão do otimismo pela aprovação do pacote de estímulos trilionário. Ainda assim, o juro projetado ainda está muito abaixo do nível
pré-pandemia, cerca de 1,65%”, explica.

Nesta sexta, 5, o destaque na agenda de indicadores é o número de empregos criados ou perdidos em janeiro nos Estados Unidos, o payroll, além da taxa de desemprego. A previsão é de abertura de 50 mil vagas e taxa de desemprego de6,7%, segundo o levantamento feito pela Agência CMA.

Para Ortiz, da Guide, o mercado espera um resultado estável ou uma queda na criação de vagas de trabalho. “Não deve surpreender e, portanto, não deve mexer tanto no dólar”, diz. Ele acrescenta que a tendência da moeda é de
leve queda, após a forte alta de hoje, atento aos movimentos da política local.

Por Agência Safras