Dólar tem forte queda de 2,24% acompanhando mercado externo

O dólar comercial fechou com forte queda de 2,24% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6290 para venda, em sessão de forte amplitude, acompanhando o movimento externo onde prevaleceu a busca por risco e levou as moedas de países emergentes a se valorizarem, respingando no real. No mês, a divisa norte-americana subiu 0,48%.

No início da tarde, o relator-geral da proposta do Orçamento da União deste ano, senador Marcio Bittar, anunciou que cancelará R$ 10 bilhões em emendas que apresentou na proposta, o que corroborou para a moeda renovar
mínimas sucessivas ao longo da tarde, chegando a R$ 5,62.

“Contribuiu, porém, o Orçamento tem outros pontos sensíveis. Mas mesmo que façam esse corte, o valor das emendas gira em torno de R$ 20 bilhões”, comenta a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, reforçando que foi dia de disputa pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo Banco Central (BC) – de fim de mês e refletiu em “uma pressão técnica”.

O texto do Orçamento aprovado na semana passada vinha recebendo várias críticas de parlamentares. Os principais questionamentos envolvem o corte de R$ 13,5 bilhões em despesas obrigatórias e outros gastos subestimados.

Para analistas, o dia a dia da administração pública poderá ser afetado pela falta de dinheiro, enquanto o grande receio dos investidores é com o estouro do teto de gastos, elevando ainda mais o risco fiscal.

O estrategista macroeconômico da XP, Victor Scalet, avalia que as preocupações em torno do cenário fiscal foram um dos assuntos que deixou o primeiro trimestre do ano “turbulento”, levando o dólar a ter avanço de 8,48%, maior alta trimestral desde os primeiros três meses de 2020 (+29,53%), quando a taxa de câmbio sentiu os efeitos do início da pandemia do novo coronavírus no mundo.

“O ano começou com uma perspectiva de risco melhor, com apreciação do real. Depois, entramos em uma dinâmica em cima da discussão fiscal e veio a piora da pandemia no Brasil. O combo pandemia e fiscal elevaram o
risco-país”, avalia, acrescentando que a mudança na perspectiva global com a recuperação econômica dos Estados Unidos, além da alta das commodities, ajudaram na valorização global do dólar.

“A alta das commodities pressiona a inflação doméstica, o que levou o BC a elevar a taxa Selic acima do esperado [em 0,75 ponto percentual, a 2,75% ao ano]. Foram muitas mudanças em um curto espaço de tempo. O risco fiscal e o
risco-país subiram nesse período”, reforça.

Nesta quinta, 1, véspera de feriado em boa parte do mundo, o destaque na agenda de indicadores fica para os dados da atividade industrial nos Estados Unidos, na China e na Europa, em março, com investidores atentos aos efeitos das novas medidas de restrição por conta da covid-19. Aqui, a economista da Veedha diz que, além de depender do cenário externo, os ativos domésticos estão “muito vulneráveis” ao cenário político e ao risco fiscal, o que tem gerado
cautela local.

“Temos o feriado na sexta-feira, mas esse cenário de volatilidade deixa pouco espaço para uma recuperação. São muitos fatores para monitorar”, diz. Analistas lembram que a sessão pode ser de baixa liquidez.

Por Agência Safras