Dólar tem forte queda de 2,36% com aprovação da PEC Emergencial

O dólar comercial fechou em forte queda de 2,36% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6550 para venda, na maior queda percentual diária desde o fim de janeiro e interrompendo a sequência de três altas seguidas, em sessão de forte volatilidade e amplitude reagindo aos dois leilões realizados pelo Banco Central (BC), à aprovação do pacote de
estímulo fiscal trilionário nos Estados Unidos e à aprovação da PEC Emergencial em segundo turno na Câmara dos Deputados.

O gerente da mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que o leilão de swap cambial tradicional realizado logo após a abertura dos negócios, no qual colocou no mercado US$ 1,0 bilhão, junto com a operação de
venda de dólar no mercado à vista no início da tarde, que colocou US$ 405 milhões, “derrubaram” a cotação da moeda.

“Além dos dois leilões e da aprovação da PEC Emergencial por aqui, lá fora, o dólar recuou com a aprovação do pacote de US$ 1,9 trilhão na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos”, comenta.

No exterior, após a divulgação dos dados da inflação norte-americana, que subiu 0,4% em fevereiro ante janeiro e ficaram em linha com o esperado, as moedas de países emergentes passaram a subir ante a divisa norte-americana.
Porém, aceleraram os ganhos após a Câmara dos Deputados do país aprovar a versão final do projeto de lei de alívio ao novo coronavírus de US$ 1,9 trilhão com um placar de 220 votos a favor e 211 contrários. A medida agora
segue para a assinatura do presidente Joe Biden, que deverá sancionar a lei na  sexta-feira.

Aqui, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC Emergencial em segundo turno, mas o Planalto conseguiu evitar que os deputados removessem do texto o gatilho para que estados e municípios adotem medidas de ajuste fiscal caso as despesas correntes atinjam 95% da receita. A vitória, porém, só foi possível após o governo ceder e se comprometer a remover da PEC a vedação à promoção de servidores públicos durante o período de ajuste após o acionamento do
gatilho.

Antes, o governo já havia sofrido uma derrota no plenário quando os deputados acataram um ajuste ao texto da PEC Emergencial para manter a vinculação de recursos públicos a fundos e despesas específicas. O governo queria a desvinculação, como estava na PEC. “A votação trouxe um pouco de volatilidade no mercado local em razão de alguns destaques, principalmente, ao longo da tarde”, acrescenta o analista da Toro Investimentos, João Vitor
Freitas.

Nesta quinta, 10, o destaque da agenda fica para a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Analistas reforçam que após a votação da PEC Emergencial e do pacote trilionário, o cenário doméstico segue atento aos desdobramentos políticos, agora com “o fator Lula”, e com o cenário de imunização contra a covid-19 no país.

Sobre o ex-presidente Lula, o economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito, avalia que o discurso feito pelo ex-presidente foi para uma campanha eleitoral que já começou. “Lula criou uma retórica que força o presidente
Jair Bolsonaro para o populismo no sentido que ele force o Planalto a tomar decisões mais de curto prazo em detrimento aos ajustes de longo prazo propostos por Paulo Guedes [ministro da Economia”, ressalta.

Por Agência Safras