O dólar comercial fechou em forte queda de 1,84% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3600 para venda, no menor valor de fechamento desde 12 de fevereiro, acompanhando o exterior reagindo à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no qual a autoridade monetária manteve a postura de política acomodatícia e deverá seguir com estímulos monetários.
“O Fed manteve o comprometimento de uma política monetária afrouxada, ponderando a retomada econômica nos Estados Unidos. E Jerome Powell [presidente do Fed] reforçou que não chegou o momento de reversão dos estímulos monetários”, comenta a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.
A equipe econômica da Capital Economics avalia que, embora o Fed tenha assumido um tom mais otimista no que diz respeito às perspectivas econômicas e reconhecido que a inflação norte-americana subiu, no documento com a decisão da autoridade monetária, não foram dados sinais de que esteja considerando desacelerar o ritmo de compras de ativos. “Quanto mais pensar em aumentar as taxas de juros”, diz.
Para o estrategista macroeconômico da XP, Victor Scalet, o banco central norte-americano não trouxe mudanças e o comunicado “veio como o esperado”. “Foram poucos ajustes no comunicado em relação à última reunião. Não
trazer nada novo também é bom. O Fed segue ‘dovish’ [suave]”, comenta, acrescentando que a decisão foi a “cereja do bolo” para uma dinâmica mais positiva do real nos últimos dias, o que tem feito a moeda local se descolar de
outros ativos domésticos.
“A dinâmica do real está mais positiva com a alta de preços das commodities, principalmente os grãos, o que ajuda na parte comercial do país e no fluxo financeiro que tem sido positivo. Fora que tem sido observado fluxo de
recursos estrangeiros entrando no país, o que ajuda a segurar essa queda [da taxa de câmbio]”, destaca Scalet. Um fluxo de entrada de recursos estrangeiros sustentou a queda da moeda norte-americana em boa parte da sessão no mercado doméstico.
Nesta quinta, 29, com a agenda de indicadores mais pesada, os destaques ficam para a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano, no primeiro trimestre, além dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade dos setores industrial e de serviços neste mês na China. Para Scalet, passada a reação do Fed, o mercado deverá observar os resultados dos PMIs, que podem começar a antecipar uma abertura da economia dos principais países.
Por Agência Safras