O dólar comercial fechou em alta de 0,55% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4430 para venda, no maior valor de
fechamento em duas semanas, acompanhando a desvalorização das moedas de países emergentes em meio à busca por ativos de renda fixa nos Estados Unidos. Aqui, o movimento de cautela prevaleceu com investidores atentos à política local, à espera de novidades em relação ao auxílio emergencial.
O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca a “sensibilidade” do real e das divisas emergentes pares como o peso mexicano, a lira turca e o rublo rubro ante o dólar em meio à valorização dos títulos de dívida do governo
norte-americano, as treasuries, no qual o vencimento de 10 anos opera ao redor de 1,30% desde o início da semana.
“Os níveis mais elevados das taxas de longo prazo colocaram uma pressão no real, já que o aumento de atratividade dos ativos de renda fixa está induzindo uma fuga de capitais em direção aos Estados Unidos”, avalia o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz.
Gomes reforça que a cautela local com a política corroborou para a alta da moeda, que chegou a operar acima de R$ 5,45. “A crise fiscal pela qual o país atravessa, potencializada pelas consequências da pandemia [do novo
coronavírus] ajudou. Os desdobramentos em torno da prisão do deputado federal Daniel Silveira [PSL-RJ] continuam no radar dos investidores”, diz.
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, descartou que a prisão do parlamentar afetará as discussões em torno das pautas econômicas no Congresso, reforçando que vacinas, auxílio emergencial e a PEC Emergencial
continuam sendo “prioridades” na Câmara e no Senado. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, afirmou nesta quinta que a PEC Emergencial deverá entrar em votação na próxima semana.
Nesta sexta, o destaque na agenda de indicadores são as prévias de fevereiro dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial e de serviços da zona do euro, Estados Unidos e Reino
Unido, que devem trazer uma leitura sobre a velocidade da recuperação econômica nas regiões. Ortiz, da Guide, aposta em recuo do dólar reverberando os comentários “mais positivos” dos líderes do Congresso.
Por Agência Safras