O dólar comercial fechou em alta de 0,55% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2380 para venda, engatando a sétima
alta seguida e no maior valor de fechamento desde 27 de maio, em sessão de forte volatilidade e amplitude da moeda, ainda na esteira da cautela local com o cenário político, fiscal e com investidores digerindo a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, destaca que a postura do Fed observada na ata foi “dovish” (suave) ao reforçar que o “progresso substancial em torno dos objetivos” não foi alcançado. “A falta de horizonte para a alta de juros por lá e para a retirada de compra de ativos deu uma sossegada no mercado. Mas um sinal mais claro sobre isso só deve ser dado em agosto”, comenta.
Ao longo da sessão, a proteção prevaleceu aqui e no exterior e levou o dólar a operar a R$ 5,28, em meio à persistente cautela local com o ambiente político e com o fiscal, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, reforçar
que “é preciso tributar dividendos”, conforme proposto na reforma tributária.
Ainda sobre a ata do Fed, o CIO da TAG Investimentos, Dan Kawa, diz que o documento não trouxe “grandes novidades” em relação ao que já vem sendo dito pelos membros do Fed. “Segue o jogo, sem grandes surpresas”, diz,
acrescentando que, pelo cenário ser “turvo e incerto”, a divisão interna na autoridade monetária também é grande. “Na dúvida, eles devem ser mais cautelosos e não acelerar a normalização monetária, se os dados de inflação não subirem, acima do que já se espera, muito mais nos próximos meses”, avalia.
A equipe econômica da Capital Economics reforça que as discussões sobre a redução gradual da compra de ativos concluíram que, nas próximas reuniões, os dirigentes do Fed concordaram em continuar avaliar a evolução da economia em direção às metas do banco central e começar a discutir os planos de ajuste da trajetória e composição das compras de ativos. “Então, não foi tão ‘hawkish’ [duro] quanto temido”, acrescenta.
Nesta quinta, 8, o destaque da agenda de indicadores fica para a inflação oficial doméstica, com previsão de desaceleração do IPCA em junho, com estimativa de alta de 0,60% na comparação com maio, segundo o Termômetro CMA. Ortiz, da Guide, pondera que o resultado do indicador poderá dar a tônica da sessão, que pode ser também de cautela à véspera do feriado local na sexta-feira e que fechará a bolsa brasileira (B3).
Por Agência Safras