O dólar comercial fechou em queda de 0,18% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4740 para venda, em mais uma sessão de forte volatilidade, calibrando o movimento da moeda no exterior e o ambiente de cautela que prevaleceu no mercado doméstico em meio às incertezas com o cenário fiscal e a falta de sinalização do governo federal. Em semana de forte volatilidade, a moeda se valorizou em 1,60%.
O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, ressalta o movimento volátil da divisa norte-americana que abriu a sessão em queda, acompanhando o desempenho no exterior, chegando a ser cotado abaixo de R$ 5,45 na abertura dos negócios.
Ele acrescenta que a moeda inverteu sinal no fim da manhã e rompeu o nível de R$ 5,50 com investidores “recompondo posições defensivas” em função do risco fiscal do país e o “desconforto” com o aumento da dívida pública.
Analistas comentam que o mercado se mostrou “incomodado” com últimas declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao afirmar que, caso o Brasil tenha uma segunda onda de contaminações por covid-19, o auxílio emergencial deverá voltar a ser pago em 2021. Nesta sexta, Guedes afirmou que não haverá aumento de impostos e que é necessário fazer controle dos gastos públicos.
“O teto de gastos é um símbolo, uma bandeira, que acabou virando uma barreira contra a irresponsabilidade e o aumento das finanças públicas”, disse o ministro. Porém, esses analistas questionam como o governo federal vai arcar uma “segunda rodada” de auxílio sem saber qual será o orçamento para o ano que vem e como financiar o benefício sem estourar o teto de gastos.
“A alta do dólar vai junto com a deterioração da perspectiva de encaminhamento do orçamento de 2021, do teto de gastos e de reformas que abram espaço para cumpri-lo”, avalia a equipe econômica do banco Fator.
Na semana que vem, o destaque da agenda de indicadores fica para os dados da produção industrial na China e nos Estados Unidos em outubro, além de discursos da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde. A analista da Toro Investimentos, Stefany Oliveira, reforça que os cenários político e fiscal devem ficar no radar dos investidores.
“Além do mercado ficar na esteira das notícias sobre o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus e do avanço da doença no mundo”, diz. Na política, os analistas do Fator destacam as eleições municipais, no domingo, no qual o resultado pode “ajudar a desenhar as posições” para os embates entre dezembro e janeiro sobre o orçamento para o ano que vem, teto de gastos e as reformas.
Os analistas da Necton Corretora chamam a atenção para o desempenho do DEM, PSDB, MDB e PP que lideram as intenções de voto nas principais capitais brasileiras. “É válido considerar que DEM, MDB e PP compõem o chamado ‘centrão’, bloco político que atualmente atua como base governista”, acrescentam.
Por Agência Safras