Em meio a temor de inflação global, dólar fecha em alta

O dólar comercial fechou em R$ 5,5750, com alta de 0,72%. A moeda refletiu, ao longo da sessão, o temor pelo risco global de inflação e os dados positivos da economia norte-americana, que dá cada vez mais indícios da recuperação financeira, o que poderia antecipar o aumento dos juros naquele país.

Segundo o especialista em finanças da Toro Investimentos, Túlio Nunes, “a inflação global é generalizada, então os bancos centrais estão aumentando o ritmo de aperto”. Ele acha que no Brasil não é diferente: “O Comitê de Política Monetária (Copom) está fazendo o seu trabalho, focado exclusivamente no controle da inflação”, observa.

Nunes acredita que o câmbio desta quinta reflete um mercado operando com baixo apetite ao risco (risk-off), e que a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), que ocorre na próxima semana, será muito importante, e pode anunciar a aceleração do tapering (remoção de estímulos).

De acordo com o economista da Renascença Corretora, Daniel Queiroz, “os dados dos Estados Unidos foram muito bons, mas é importante observar que grande parte disso veio do turismo”. Ele ressalta, porém, que o Fomc certamente vai levar isso em consideração, na reunião da próxima semana.

Queiroz acredita que a tendência de hoje é que o dólar se fortaleça antes as emergentes, incluindo o real, após queda significativa na sessão de ontem.

Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, “é natural esperar uma correção. O dólar deve cair, com o Copom buscando controlar a inflação, independente do cenário de atividade”.

Borsoi também credita ao fim da discussão sobre os precatórios a melhora no humor do mercado, que vai tirar o “prêmio” tanto dos juros quanto do câmbio.

Por Agência Safras