A Embrapa deve realizar em breve mudanças em duas de suas diretorias executivas. Saem os atuais diretores de gestão institucional, Lucia Gatto, e de inovação e tecnologia, Cleber Oliveira Soares, cujos mandatos (ou períodos de gestão, segundo a Lei das Estatais) expiraram no ano passado. Entre os nomes mais cotados para assumir, estão o servidor do Ministério da Economia e Planejamento Leonardo Martins e o biólogo e consultor da área de biotecnologia Raphael Pinaud.
Em pelo menos uma das vagas deve ser escolhido um nome do mercado, confirmou o presidente da Embrapa, Celso Moretti, à reportagem. Segundo Moretti, Martins e Pinaud estão entre os concorrentes, mas ainda não há decisão final sobre quem ocupará as posições. O plano é definir os nomes ainda no mês de março. “Ainda estamos trabalhando no processo de seleção, de entrevistas, dos novos diretores. Isso estava previsto e já havia sido negociado com o ministério (da Agricultura) e internamente, é uma coisa muito transparente. Temos entrevistado nomes de dentro e de fora da Embrapa”, disse Moretti.
“Tenho a ideia de trazer pelo menos um diretor de fora mas pode ser até que sejam os dois diretores de fora, para realmente oxigenar, trazer uma visão diferente para a empresa, com gente que vem do mundo privado, trazer essa dinâmica que a gente quer imprimir na empresa nesses próximos anos.” Em fevereiro, já foi oficializada uma troca na diretoria. O pesquisador Guy de Capdeville foi nomeado diretor executivo de Pesquisa e Desenvolvimento, no lugar de Moretti, que ocupou este cargo e a presidência interina da Embrapa por alguns meses antes de ser efetivado no cargo atual. Moretti assumiu o posto mais alto da Embrapa em 17 de julho de 2019, após a exoneração de Sebastião Barbosa, e foi confirmado no cargo no dia 20 de dezembro.
A nomeação de Capdeville foi publicada no Diário Oficial de 13 de fevereiro, após o pesquisador ter sido eleito na reunião de Conselho de Administração da Embrapa de 7 de fevereiro. O Conselho de Administração da Embrapa também está passando por mudanças. Dois novos nomes passarão a integrá-lo: Pedro de Camargo Neto, vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), e Daniel Carrara, diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). “Os dois colegas foram indicados pelos Ministérios da Agricultura e da Economia, passaram por todo o processo previsto na Lei das Estatais e, brevemente, assim que finalizar todo o processo, devem assumir uma posição no Conselho de Administração”, confirmou Moretti.
“São duas pessoas que conhecem muito do agro, com grande experiência, que vêm do setor privado. Acho isso muito positivo, e está na linha do que eu tenho defendido, de cada vez mais estarmos próximos e termos a visão do setor privado para que a Embrapa continue entregando valor para o agro brasileiro.” A nomeação para o conselho ainda não foi publicada no Diário Oficial. Consultado sobre as mudanças na diretoria e no Conselho de Administração da Embrapa, o ministério da Agricultura informou apenas que os novos nomes do conselho ainda estão em fase de consulta pela Casa Civil e não se pronunciou sobre possíveis mudanças na diretoria. Indicado para uma das novas vagas no conselho da Embrapa, Pedro de Camargo Neto defende uma “refundação” da estatal. “
É um enorme desafio. O fato é que a Embrapa envelheceu, e que nós, produtores, precisamos dela. Estou entre os que acreditam na pesquisa pública. Mais um motivo para querer uma Embrapa forte, produzindo resultados para o setor”, disse ao Broadcast Agro. Para ele, é necessário criar um canal na estatal para que seus 4 mil pesquisadores e analistas participem da fundação dessa “nova Embrapa”, “não necessariamente dentro da rigidez de seu organograma. Tem muita gente boa que precisa participar”.
O dirigente, que há anos é crítico à estatal, disse que a crise na Embrapa “é antiga” e que há silêncio sobre o tema, “para não dizer omissão” entre os quadros da empresa. “Será um trabalho a muitas mãos, ou melhor, muitas cabeças, Conselho, Diretoria, gerentes, Consultoria e também os pesquisadores”, acrescentou. Camargo Neto admite que mudar a Embrapa é uma tarefa que “deve levar algum tempo”, mas não há outra saída. “Ou a Embrapa muda ou sucumbe, o que não podemos deixar acontecer”, afirmou. Na opinião dele, é necessário desenvolver “melhores critérios” para avaliar resultados de pesquisa pública, assim como ter critérios claros para avaliar o quadro profissional da estatal. Além disso, reforçou, a empresa precisa passar por ajustes, uma vez que o Brasil vive uma crise fiscal. Entre esses ajustes estariam cortes de “despesas supérfluas e benefícios que representam hoje privilégios”.
Consultado, Daniel Carrara, do Senar, ainda não atendeu ao pedido de entrevista, mas confirmou, por meio da assessoria da entidade, ter sido escolhido para o conselho da estatal.
Por Estadão Conteúdo