Fluxo de recursos estrangeiros na B3 faz dólar recuar 1,47%

O dólar comercial fechou em queda de 1,47% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4850 para venda, no menor valor de
fechamento desde 25 de fevereiro e engatando o quarto recuo seguido, em sessão em que a desvalorização da moeda prevaleceu em meio à entrada de um fluxo de recursos estrangeiros na bolsa brasileira, a B3, em movimento descolado do exterior.

Na semana, marcada pela alta da taxa básica de juros (Selic) pela primeira vez em quase seis anos pelo Banco Central (BC), saindo do menor piso histórico de 2% para 2,75%, alta acima da esperada pelo mercado, a moeda norte-americano acumulou perdas de 1,35%, na segunda semana seguida de sinal negativo.

O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, avalia que a queda no pregão, com o real tendo um dos melhores desempenhos entre as divisas de países emergentes, refletiu a postura mais “hawkish” (dura) do BC nesta
semana, com a alta da taxa em 0,75 ponto percentual (pp), além de sinalizar no comunicado que deverá promover uma alta na mesma magnitude na próxima reunião, em maio.

“Refletiu em aumento da atratividade dos ativos de renda fixa domésticos, fomentando uma demanda ligeiramente maior por reais”, comenta sobre a entrada de fluxo na B3, refletindo numa queda de mais de 2% do dólar no movimento intradiário.

Lá fora, o rendimento das taxas dos juros futuros dos títulos do governo norte-americano, as treasuries, voltaram a subir hoje, com o vencimento de 10 anos (T-Note) ficando ao redor de 1,73%, reagindo também à decisão de
política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco dos Estados Unidos).

Na próxima semana, a agenda de indicadores estará carregada com a prévia da inflação doméstica neste mês, além da divulgação da ata do Comitê de Política Monetária, no qual Ortiz ressalta que o mercado aguarda uma postura
em linha com o comunicado divulgado na quarta-feira. “O que pode trazer mais alívio ao dólar”, diz. Lá fora, tem a decisão de política monetária da China e falas do presidente do Fed, Jerome Powell, ao longo da semana.

Por Agência Safras