Investidores mantém postura cautelosa e dólar sobe 1,42%

O dólar comercial fechou em alta de 1,42% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6390 para venda, em sessão volátil e
de forte amplitude, refletindo uma cautela local em meio aos rumores de que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, será mais um ministro a deixar a pasta durante a pandemia de Covid-19. Lá fora, países da Europa anunciaram que
deixarão de usar, temporariamente, a vacina contra a doença produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford por preocupações ligadas à formação de coágulos em pessoas imunizadas.

Alemanha, França, Itália e Espanha foram alguns dos países que anunciaram a suspensão da aplicação do medicamento. A notícia fez a divisa estrangeira disparar a R$ 5,65 no início da tarde e levou o Banco Central (BC) a fazer um leilão de venda de dólares no mercado à vista, colocando US$ 1,065 bilhão no mercado. A moeda chegou a cair a R$ 5,60, mas acelerou os ganhos na reta final da sessão.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que a alta da moeda reagiu ao movimento de saída de investidores estrangeiros e da busca por proteção com o mercado preocupado com o “colapso de sistema de saúde” do país, o que levou importantes cidades a decretarem medidas restritivas mais duras para conter o avanço do novo coronavírus.

O chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, reforça que “um conjunto de coisas” sustentou a alta do dólar na sessão, como a “bagunça” no Ministério da Saúde com a possível saída do ministro
Pazuello.

“O próximo ministro tem que estar também em linha com o que o presidente Jair Bolsonaro pensa. Sai um e entra outro que defende o que o presidente defende. Estamos no zero a zero”, diz, acrescentando que as notícias
relacionadas à vacina da AstraZeneca ajudaram a piorar o cenário doméstico que “já é ruim” desde a abertura. “E essa é uma vacina que o Brasil também estava apostando”, reforça.

Há pouco, Pazuello declarou que Bolsonaro está em tratativas para “reorganizar” o Ministério e fez a ressalva de que não estaria “doente” e nem teria pedido para sair do cargo. “Enquanto isso não for definido, a vida segue normal. Nenhum de nós no nosso Executivo está com problema algum. Nós estamos trabalhando focados na missão. Quando o presidente tomar sua decisão faremos uma transição correta”, disse. O ministro ponderou que o presidente
está estudando nomes para a substituição.

Nagem destaca que as atuações do Banco Central (BC) no mercado cambial nos últimos dias, principalmente, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) entre amanhã e quarta-feira, chamam a atenção
dos investidores.

“O mercado está se perguntando se não é por causa da reunião. O BC sempre agiu para dar liquidez e agora, parece agir para derrubar a moeda mesmo. Se não fosse a intervenção com leilão à vista hoje, o dólar teria ido a R$
5,70 porque a liquidez também estava baixa”, ressalta.

Segundo o chefe da mesa de câmbio, há “especulações” em algumas mesas de operações de que talvez a autoridade monetária não promova um corte tão forte da Selic quanto se espera. “Talvez possa ser uma decisão mais
branda [“dovish”]. O consenso é de alta de 0,50 ponto percentual [pp]. Há quem diga que pode ser de 0,75 pp, o que poderia ser melhor já que o Boletim Focus surpreendeu ao disparar de 3,98% e 4,60% a projeção para a inflação
[ao fim deste ano], mostrando que pode haver uma bolha inflacionária perto de estourar. Esse corte traria um conforto ao mercado”, pondera, dizendo que um possível corte de 0,25 pp poderá trazer uma reação mais forte “de dólar para cima”.

Nesta terça, 16, o destaque na agenda de indicadores fica para os dados sobre as vendas no varejo e da produção industrial nos Estados Unidos, em fevereiro. Para o varejo, a previsão é de queda de 0,1%, enquanto para a atividade
industrial a projeção é alta de 0,50%. Também começa as reuniões de política monetária do Copom e do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) no qual Nagem, da Terra Investimentos, aposta que o dólar
tende a operar à espera das decisões de política monetária na quarta-feira.

Por Agência Safras