O mercado brasileiro de trigo seguiu com poucos negócios nesta terça-feira, 15, com os agentes novamente de olho principalmente no fator câmbio, em dia de valorização da moeda brasileira frente ao real.
Segundo o analista de Safras & Mercado, Jonathan Pinheiro, a menor liquidez no âmbito doméstico é habitual para este período de final de ano, no qual a indústria reduz seu ritmo de moagem, e a consequente necessidade de reposição dos seus estoques.
“Atualmente, o cenário de preços no país se mantém mais firme, devido justamente a um menor volume de comercialização”, diz ele. “Porém, o cenário deve permanecer baixista caso o câmbio siga próximo dos patamares atuais ou inferiores. Com esta conjuntura o trigo nacional segue perdendo competitividade frente o produto importado, mesmo com a elevação dos custos de aquisição do trigo no mercado internacional, tendo em vista tanto o cenário climático desfavorável em importantes países produtores, inclusive a Argentina, como possíveis medidas protecionistas dos países, a fim de garantir o abastecimento interno a preços inferiores”, pondera.
Estes fatores, ainda conforme a avaliação do analista, poderão somente minimizar a redução dos custos de aquisição do trigo no mercado externo, pelas paridades, tendo em vista uma retração significativamente acentuada. “Com o gradual escoamento tanto da oferta interna, como das safras vizinhas que seguem entrando nos respectivos mercados, e uma menor incerteza econômica, atualmente vinculada principalmente a questão do coronavírus, os preços poderão gradualmente voltar a ganhar espaços para recuperações, caso o câmbio também se estabilize. Retrações ainda superiores do câmbio podem manter o trigo com viés baixista”, aponta.
Por Agência Safras