Reforma ministerial ainda repercute e dólar fecha em queda nesta terça

O dólar comercial fechou em queda de 0,15% no mercado à vista, cotado a R$ 5,7580 para venda, em sessão de forte
volatilidade, com o mercado doméstico digerindo a reforma ministerial feita pelo presidente Jair Bolsonaro, além do exterior, em meio ao fortalecimento da divisa norte-americana ante boa parte das moedas pares e de
países emergentes com o avanço dos rendimentos das taxas de juros futuros dos títulos do governo norte-americano, as treasuries. Aqui, investidores começaram a tradicional disputa pela formação de preço da taxa Ptax – média
das cotações apuradas pelo Banco Central (BC) – de fim de mês.

Ao longo da sessão, o mercado doméstico reagiu à “troca de cadeiras” feita pelo presidente Bolsonaro ontem em seis ministérios, o que para a equipe econômica do banco Fator “roubou a cena”, mantendo a decepção dos
investidores com a situação do Orçamento deste ano em segundo plano.

“A alta do dólar contra as moedas fortes não foi replicada aqui. Embora o risco dos [mercados] emergentes tenha crescido, suas moedas tiveram ganhos contra o dólar”, comenta. Apesar da moeda operar fortalecida por toda a
sessão frente à boa parte das moedas pares e emergentes na esteira do avanço das treasuries. O vencimento de 10 anos operou acima dos 1,72% na sessão, em meio à expectativa de pressão inflacionária nos Estados Unidos.

Para o cientista político da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, a reforma ministerial não reduz o cenário pessimista. “A reforma ministerial mostra mais o grau de fragilidade do governo e menos uma disposição para
mudança no ‘modus operandi’ governista. O objetivo é chegar a 2022, o que aumenta os riscos de ações voluntaristas, inclusive na seara econômica, mantendo o ambiente pautado por risco e volatilidade elevados”, reforça.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, acrescenta que, ao longo da tarde, investidores locais deram início à tradicional “briga” pela formação da Ptax de fim de mês. “Com vendidos já
tentando mostrar força”, diz.

Nesta quarta, 31, a previsão é de volatilidade na primeira parte dos negócios em meio à disputa da Ptax, entre comprados e vendidos no mercado doméstico. A agenda de indicadores chama a atenção com números sobre a criação de emprego no setor privado (ADP) norte-americano, em março, no qual a previsão é de abertura de 525 mil vagas. O indicador é uma prévia do relatório de empregos, o payroll, que será divulgado na sexta-feira.

O mercado ainda poderá reagir aos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial e de serviços da China, neste mês, além da leitura preliminar da inflação na zona do euro, em março. Dado
que vem sendo monitorado pelo mercado.

Por Agência Safras