Após dias em queda, o dólar fechou a sexta-feira cotado a R$ 5,2090 parra venda, subindo 2,55%. A expressiva alta se deve ao temor do mercado no aumento do programa Bolsa Família, visto como uma medida visando as eleições de 2022 e que inevitavelmente iria estourar o teto orçamentário. Mesmo em uma semana turbulenta, os fatores externos pouco contribuíram no sólido crescimento que a moeda norte-americana obteve hoje.
Cristiano Fernandes, sócio da Euroinvest, alerta que “o que afetou o mercado foram os problemas fiscais internos. O mercado ficou com o pé atrás com a possibilidade do estouro orçamentário”. “Em uma semana que já não teve muitas notícias boas, como os resultados dos Estados Unidos, isso foi a cereja do bolo”, complementa.
Para o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, “as bolsas europeias e americana estão tendo um dia generalizado de risk-off (com os grandes investidores poucos dispostos a tomar riscos), puxando as moedas emergentes para baixo”.
O economista também considera que manobras que visam a eleição de 2022 também são vistas de modo negativo pelo mercado. “A possibilidade de ampliar o Bolsa Família seria uma maquiagem fiscal, algo acima do teto. Isso é um fator que pressiona a taxa de câmbio”, contextualiza Alejandro.
“No mercado internacional de câmbio, o dólar ganha levemente de seus pares, index de 0,09% de valorização e também trabalha fortalecido da maioria das divisas emergentes e ligadas às commodities”, analisa Jefferson Rugik, da Correparti, em boletim matinal.
A valorização do dólar por aqui é limitada pela expectativa de que na próxima quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) possa anunciar um aumento maior que o previsto na Selic (taxa básica de juros).
Rugik acrescentou que o dólar pode ter uma sessão volátil nesta sexta-feira por causa do encerramento do mês. “Para o restante da primeira sessão, quem deve comandar o jogo cambial é a tradicional briga pela taxa PTAX, que deve ter os vendidos mais bem preparados para a disputa”, afirmou.
Por Agência Safras