A sustentação dos preços do trigo no mercado brasileiro não leva em conta apenas a redução nas projeções da safra nacional. No mercado externo, os preços do grão vêm subindo consideravelmente nas últimas semanas impulsionados por incertezas em relação à produção em importantes países exportadores e pelo aumento substancial na demanda internacional pelo grão.
Países como Rússia, Ucrânia e os Estados Unidos enfrentam clima seco prejudicial à cultura, que pode comprometer seus potenciais produtivos. Além disso, a Argentina, principal fornecedor do grão ao Brasil e importante exportador global, passa por uma estiagem severa nos últimos meses e já teve suas previsões de safra rebaixadas por diversas entidades do setor.
Do lado da demanda, muitos países asiáticos buscam aumentar suas reservas de trigo, visando antecipar novas altas de preços e precaver-se de possíveis desabastecimentos em meio à pandemia do coronavírus. A China ganha estaque neste movimento, pois já se coloca como um dos principais compradores no mercado global.
Conforme o analista da Safras Consultoria, Jonathan Pinheiro, um crescimento significativo, caso mantido nos próximos anos, pode estimular produtores globais a aumentarem suas safras. “O mercado também pode acabar tendo preços mais elevados, mas gradualmente deve se ajustar a essa situação. As produções vão crescer e os preços vão se estabilizando”, analisa.
Por Agência Safras