Trigo: tendência natural é de que transgênico seja inserido no mercado, diz Safras

Com a aprovação comercial de uma variedade de trigo geneticamente modificado na Argentina, a tendência, segundo o analista da Safras Consultoria, Jonathan Pinheiro, é de que o produto seja gradualmente inserido no mercado.

Nesta semana, a Associação Nacional da Indústria do Trigo (Abitrigo) e a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) se manifestaram contra a liberação. Conforme as entidades, a nova tecnologia favorece apenas um maior rendimento no campo, não representa melhorias na qualidade e ainda gera temores nos consumidores. Diferentemente da cultura da soja, na qual organismos geneticamente modificados são bastante difundidos, o trigo é um produto primariamente de consumo humano.

Pinheiro observa que não há consenso sobre o transgênico, seja em questões relacionadas à saúde humana, seja no tocante à produtividade. “A Argentina defende que estudos foram realizados por anos antes da implementação”, diz.

Um ponto positivo do produto é a resistência à baixa umidade. A Argentina vem enfrentando uma estiagem severa nos últimos meses. “Essa tecnologia favoreceria bastante a produção do país vizinho”, pontua.

É possível que a questão leve anos para ser resolvida, acredita, mas aos poucos deve ser aprovada e, “em alguns anos, o mercado deve ter esse produto no Brasil. É a tendência natural”, projeta.

Por Agência Safras